Veiculo:
FOLHA DE SÃO PAULO (SP)
  Secao:
MERCADO
  Data:
2016-10-30
  Localidade:
SÃO PAULO
  Hora:
05:51:17
  Tema:
COLUNA - MERCADO ABERTO
  Avaliação:
NEUTRA

MERCADO ABERTO

O grupo Ser Educacional protocolou no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na semana passada um relatório em que contesta a transação que pretende unir a Kroton e a Estácio.
 
Ser Educacional aponta no Cade alta concentração na fusão Kroton-Estácio

O parecer, feito pela GO Associados, defende que a fusão criaria uma elevada concentração de mercado e poderia ter efeitos anticompeti-tivos, segundo Gesner Oliveira, sócio da consultoria.

A união das duas maiores empresas de ensino superior privado do país aguarda análise da autarquia. Há um prazo durante o qual terceiros podem questionar a venda.

Foram identificados 103 mercados de graduação presencial (cursos por município) em que ambos os grupos atuam. Com a fusão, haveria concentração acima de 50% em 45 deles. Em 15 mercados, “o monopólio seria total”, considera Oliveira.

“A alta concentração cria barreiras a novos entrantes.” Entre os fatores que podem eliminar a concorrência efetiva, estão os altos investimentos em marketing por parte do líder de mercado, em um setor em que a marca é determinante, e ganhos de escala.

O Cade tem um prazo de 240 dias, prorrogáveis por mais 90, para avaliar a operação. Com a gigante paralisada à espera da decisão do órgão, analistas enxergam uma oportunidade para outras companhias irem às compras.

“Temos negociações com empresas de todos os portes e tamanhos. Esperamos que algumas delas se materializem em breve”, afirma o diretor-presidente do Ser Educacional, Jânyo Diniz, que não quis comentar o relatório.

Fornecedores de pequeno porte vendem mais para o governo

As micro e pequenas empresas aumentaram suas vendas para o governo federal em 10% em termos nominais no primeiro semestre deste ano, na comparação com 2015, segundo o Sebrae.

O crescimento é “vegetativo”, afirma o presidente da entidade, Guilherme Afif Domingos. “O número é baixo, se for aplicada a inflação do período. Não houve um desenvolvimento significativo.”

As grandes companhias também venderam mais para a União, mas em uma proporção menor, de 1,4%, sem correção monetária.

Na comparação entre o começo deste ano e 2015, as pequenas empresas conseguiram capturar uma fatia 1% maior do total dos negócios: elas ficaram com 17%.

Por lei, o governo federal precisa dar preferência nas compras aos micro e pequenos empresários.

Se a proposta for até 5% maior que a de uma grande empresa, os menores podem baixar os valores e conseguir o contrato, diz Cibele Franze-se, professora da FGV. “A compra serve como política de desenvolvimento.”

Em Estados e municípios, negócios pequenos têm fatia maior das compras, diz Afif.

VAIVÉM DA FUMAÇA

A produção de cigarros caiu 4,2% no acumulado deste ano até agosto, em relação ao mesmo período de 2015. Os dados são da Receita Federal. A queda ocorre há tempos, mas não é constante.

Há anos, como 2015, em que o mercado recua mais de 10%, e outros, cerca de 5%.

Para fabricantes, o vilão é o contrabando, mas o consumo também sofre um declínio ano a ano. “É histórico e ocorreu mesmo no período de maior atividade econômica”, diz o diretor financeiro da Souza Cruz, Leonardo Senra.

ENERGIA PRÓPRIA

A GL Events, que administra o São Paulo Expo, investiu R$ 30 milhões em um sistema de energia com a Comgás.

O projeto vai garantir autonomia de geração, afirma o presidente Arthur Repsold.

“Haverá uma economia de custo entre 8% e 12%”, diz.

Mobilidade

A viação Metra Transportes investiu R$ 15,8 milhões em 10 trólebus que circularão em um corredor que percorre a Grande São Paulo. Cerca de 40% do dinheiro é próprio, e o restante é financiado.

Menos pedras...

A indústria de calçados contratou 20 mil trabalhadores neste ano, segundo dados do Ministério do Trabalho. O aumento das exportações é o principal impulsor da melhora, segundo a Abicalçados, do setor.

...no sapato

A quantidade de empregados nessa indústria ainda não voltou ao nível histórico, segundo Heitor Klein, presidente da associação. Hoje, são cerca de 315 mil, contra 350 mil na época anterior à crise, afirma.