Veiculo:
FOLHA DE SÃO PAULO (SP)
  Secao:
MERCADO
  Data:
2016-11-24
  Localidade:
SÃO PAULO
  Hora:
07:29:17
  Tema:
COLUNA - MERCADO ABERTO
  Avaliação:
NEUTRA
  Autor: MARIA CRISTINA FRIAS - cristina.frias1@grupofolha.com.br, FELIPE GUTIERREZ, TAÍS HIRATA e IGOR UTSUMI

MERCADO ABERTO

Uma nova norma da Aneel (agência de energia) determina que os investimentos em fiação subterrânea não podem ser divididos por todos os clientes da distribuidora e que os valores devem ser discriminados nas tarifas.
 
Regra dá transparência a aterramento elétrico

A regra, publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (23), determina que se uma cidade ou um condomínio decidem aterrar a rede, só eles devem pagar por isso, e o custo não pode ser pulverizado por toda a base.

A mudança torna o ambiente mais propício ao aterramento, segundo Nelson Leite, presidente da Abradee (associação das distribuidoras). “As empresas precisavam dessa clareza”, afirma.

A rede subterrânea, no entanto, depende de outros fatores, como a disposição dos clientes para gastar —o investimento em fiação embaixo da terra é, em média, dez vezes mais alto que a aérea.

Em um momento de crise fiscal, dificilmente os municípios vão optar por ela, lembra Leite. “A administração pública tem tido déficits orçamentários”, afirma.

A nova regra traz justiça tributária, diz Sidney Simonag-gio, vice-presidente de assuntos regulatórios da AES Ele-tropaulo, mas é preciso haver harmonia entre diferentes entes para a expansão.

“Não é a Eletropaulo que diz ‘vou aterrar’. A decisão precisa ser das operadoras de telecomunicação e das prefeituras também.”

Sam Zell vende participação em incorporadora do Paraná

O fundo Equity, do investidor norte-americano Sam Zell, revendeu sua fatia da incorporadora Thá, do Paraná, aos donos originais, a família cujo sobrenome batiza o grupo empresarial.

O valor da transação não foi revelado, mas a coluna apurou que os Thá desembolsaram US$ 10 milhões (cerca de R$ 35,5 milhões) para voltar a ter controle do negócio.

Em 2012, o Equity ficou com 80% do conglomerado, que inclui incorporação, engenharia e venda de imóveis.

Os investidores estrangeiros precisavam vender suas ações, pois esse aporte era de um fundo que tinha prazo para realizar os lucros e fechar.

No ano passado, a construtura Thá teve uma queda de 27% do faturamento. No ranking da Cbic (câmara do setor), ela ficou em 32° lugar — uma posição acima de 2014.

Zell ficou famoso por ter investido no Brasil antes do bom momento econômico do país, na década passada.

O Equity ainda tem uma fatia de uma empresa de armazenagem brasileira e, neste ano, fez um aporte de R$ 400 milhões na Estapar.

O fundo e a família foram procurados pela coluna, mas não se pronunciaram.

PLANALTO CENTRAL

Para aumentar sua presença nas regiões Norte e Centro-Oeste, o grupo Gazin, varejista de móveis e eletrodomésticos, vai investir R$ 33 milhões em 2017.

A verba será destinada à abertura de seis lojas e à aquisição de veículos usados em entregas, diz Osmar Delia Valentina, presidente do grupo.

Com 236 unidades, a empresa também tem seis fábricas de colchões e vende por atacado para o resto do país.

Neste ano, R$ 38 milhões foram gastos no treinamento de funcionários e na abertura de 18 unidades.

“Nossa meta é, anualmente, investir pelo menos 1% do faturamento, com foco no varejo”, afirma o empresário.

O alto nível de inadimplência atrapalhou os negócios, mas o objetivo de igualar o resultado de 2015 foi superado, diz ele. A projeção é que o faturamento seja de R$ 3,2 bilhões, alta de 3% em relação ao ano passado.

“Não fechamos lojas e nem cortamos funcionários durante a crise. Agora já vemos uma estabilização do mercado”, aponta Delia Valentina.

VAREJO EM OBRAS

O grupo Záffari, de supermercados e shopping centers, planeja investir R$ 100 milhões no ano que vem somente em reformas e ampliações.

O aporte servirá para aumentar a central de distribuição da empresa em Porto Alegre e para renovar lojas da rede. Hoje são 34 operações no varejo e nove shoppings, localizados no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Além desse investimento, outros R$ 120 milhões foram destinados a unidades com abertura planejada para 2017.

Um supermercado na capital gaúcha está previsto para fevereiro e um hipermercado em Canoas deve ficar pronto no segundo semestre.

SEXTA NEGRA

Apenas 14% das empresas de eletrônicos projetam um aumento de vendas na Black Friday e no Natal deste ano, segundo a Abinee, que ouviu fabricantes ligadas à associação na última semana.

Para 57% das companhias, o desempenho neste fim de ano ficará no mesmo patamar do de 2015, e 30% delas projetam um resultado pior.

A Black Friday foi apontado pela maioria (56%) dos empresários como o evento mais importante do ano, acima do Natal (44%).

Entre as companhias que acreditam que as vendas vão subir no período, a maioria (67%) não planeja ampliar sua produção.

“E um sinal de pessimismo em relação a 2017. As fabricantes não devem repor seus estoques até que sintam mais confiança em uma recuperação”, avalia o presidente da entidade, Humberto Barbato.

O resultado indica o esgotamento de uma onda de otimismo na indústria, que ocorreu entre maio e setembro deste ano, diz ele. “Esperamos uma retomada só no segundo semestre de 2017.”

EXPANSÃO NA NUVEM

A Odata, empresa de data center que recebeu aporte do Pátria Investimentos, vai investir cerca de R$ 150 milhões no ano que vem para completar seu primeiro centro de dados, em Santana de Parnaíba (SP).

O valor será aplicado em equipamentos e em subestações de energia para a unidade, afirma o presidente, Ricardo Alário.

Em 2017, a companhia ainda prevê iniciar a construção de um centro na Colômbia, e adquirir terrenos no Rio de Janeiro e no Nordeste —Fortaleza e Recife são possíveis destinos.

“A expansão dependerá da demanda dos clientes, mas o plano de negócios inicial prevê cinco unidades.”

No Chile, outro mercado latino onde a empresa pretende se instalar, o planejamento ainda está em estágio menos avançado, diz.

13,5 MIL M2

é a área total do centro paulista da empresa, que ficará pronto em março de 2017

Na... O faturamento do comércio eletrônico brasileiro caiu 20,2% na comparação entre a segunda e a primeira semana de novembro.

...expectativa A redução de R$ 996 milhões para R$ 795 milhões está associada à proximidade da Black Friday, segundo a Ebit.

Comida O grupo de franquias EMS vai investir R$ 10 milhões em 2017 para abrir sorveteria e restaurante próprios em São Paulo, além de uma fábrica de sorvetes no Nordeste ou Centro-Oeste.