Veiculo:
FOLHA DE SÃO PAULO (SP)
  Secao:
MERCADO
  Data:
2016-12-27
  Localidade:
SÃO PAULO
  Hora:
07:06:15
  Tema:
COLUNA - MERCADO ABERTO
  Avaliação:
NEUTRA
  Autor: MARIA CRISTINA FRIAS - cristina.frias1@grupofolha.com.br , FELIPE GUTIERREZ, TAIS HIRATA e IGOR UTSUMI

MERCADO ABERTO

As vendas de ativos de empresas envolvidas na Lava Jato, que eram esperadas pelo mercado em 2016 e não aconteceram, devem ser feitas em 2017, segundo advogados especializados em aquisições.
 
Vendas da Lava Jato ficaram para ano que vem

No começo, havia a expectativa de que os grupos iriam se desfazer de algumas de suas empresas para fazer caixa. “Foi um início com visão otimista, mas tivemos frustrações”, diz Fernando Alves Meira, da Pinheiro Neto.

Com a investigação em curso, os advogados afirmam ter dificuldades para passar segurança aos investidores.

“Nós aconselhamos negociações de vários projetos de transações de compra ou venda de empresas da Lava Jato. Nada foi adiante porque não conseguimos dar o conforto que o comprador precisava.” A lei anticorrupção estabelece que quem se beneficiou de um malfeito responde por ele —ou seja, se uma empresa de uma holding pagou propina, é ela, e não a controladora, que será penalizada.

No caso da Odebrecht, um dos advogados da companhia diz que o mercado espera a delação dos executivos da empreiteira se tornar pública para entender a relação direta dos ativos com as propinas pagas aos políticos.

O raciocínio dos advogados é que os executivos vão delatar, mas sem relacionar uma propina a um ativo, como um aeroporto ou uma estrada, segundo um defensor que representa a companhia.

Dessa forma, as penalidades serão aplicadas à holding, que não tem concessões.

Se essa “blindagem” for feita, o ritmo de vendas de ativos deverá se acelerar no primeiro semestre de 2017, preveem os advogados.

NOVATA NA OBRA

A incorporadora Trust Real Estate planeja investir R$ 70 milhões em três projetos imobiliários no ano que vem em São Paulo.

Fundada em 2011, a companhia lançará um centro de moradia para idosos e uma clínica hospitalar de retaguarda, além de iniciar a reforma de um hotel.

“São projetos que não podem ser feitos em um prédio colocado para aluguel porque têm exigências próprias, como elevadores de maca ou outras demandas da Anvisa”, diz o fundador Martim Gross.

A incorporadora obteve R$ 16 milhões em 2016 para construir seu primeiro projeto residencial, um prédio com paredes retráteis nos apartamentos.

A tecnologia está em processo de patenteamento há quatro anos, segundo Gross.

“Os aportes são todos próprios. Na maioria dos casos, buscamos pessoas físicas como investidores.”

Chance... A indústria de transformados plásticos, que tem a Braskem como sua principal fornecedora, enxerga espaço para negociar com o governo um pleito antigo do setor: a redução de custo de suas matérias-primas.

...de plástico “O setor é abastecido por um monopólio da Braskem, que sempre teve poder de pressão muito grande, e os produtos importados pagam altas taxas”, afirma o presidente da Abiplast (do setor), José Ricardo Coelho.

CONTAS A PAGAR

O número de empresas inadimplentes cresceu 6,8% em novembro, na comparação com o mesmo mês de 2015, segundo o SPC Brasil e a CNDL (confederação de lojistas).

Apesar do aumento, a tendência é de desaceleração. Em outubro, a alta foi de 7,27%.

A queda no ritmo de endividamento das companhias não é consequência de uma retomada econômica, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC.

“Com a crise, empresas têm menos acesso ao crédito, menos contas para pagar e, consequentemente, têm inadimplência menor.”

O movimento de desaceleração é semelhante ao observado com pessoas físicas, ainda que mais lento, afirma.

“Em 2017 será na mesma toada, sem queda na inadimplência, mas com um ritmo de crescimento menor.”

A região em que o número de empresas endividadas mais cresceu foi a Norte, que “se reveza na liderança com o Nordeste desde que a crise começou”, aponta Kawauti.

ESCALADA DO POÇO

A intenção de consumo das famílias paulistas voltou a subir em dezembro e acumulou um aumento de 14,6% em relação ao mesmo mês de 2015, segundo a FecomercioSP.

O índice cresceu pelo sexto mês consecutivo, mas continua bastante abaixo do patamar anterior à crise. Em comparação com dezembro de 2014, a queda é de 30,5%.

“A gradual desaceleração da inflação deverá elevar o poder de compra das famílias, mas os juros seguem elevados, e as taxas de emprego vão demorar para se recuperar”, afirma Guilherme Dietze, economista da federação.

Entre os indicadores que compõem o índice, o acesso ao crédito é o único que segue menor que há um ano —todos eles, porém, continuam baixos na avaliação da entidade.

“Com a atual instabilidade, é difícil prever quando o consumo voltará a crescer. Esperamos uma retomada lenta.”