Veiculo:
FOLHA DE SÃO PAULO (SP)
  Secao:
MERCADO
  Data:
2017-01-22
  Localidade:
SÃO PAULO
  Hora:
09:00:03
  Tema:
COLUNA - MERCADO ABERTO
  Avaliação:
NEUTRA
  Autor: Maria Cristina Frias - cristina.frias1@grupofolha.com.br

MERCADO ABERTO

O total de recursos para financiar projetos de saneamento básico em 2017 é mais que o dobro do volume do ano passado na Caixa Econômica e no BNDES –são ao menos R$ 5,8 bilhões a mais.
 
Caixa e BNDES ampliam em 140% recursos para saneamento básico
O valor saltou de R$ 3,5 bilhões, em 2016, para R$ 9 bilhões neste ano no programa voltado à área da Caixa.

No BNDES, a previsão é de R$ 1 bilhão para operações de crédito diretas –em 2016, foram R$ 672 milhões. Além disso, há uma linha direcionada a saneamento e recursos hídricos, "sem limite de orçamento", disse o banco.

Há dúvidas, porém, sobre se a alta irá se converter em investimentos, devido à dificuldade de companhias do setor e governos de oferecer garantias para tomar o crédito.

"O aumento é positivo, mas os Estados estão em crise", afirma Roberto Tavares, presidente da Aesbe (que representa as empresas estaduais do setor) e da Compesa, de Pernambuco.

Dos R$ 3,5 bilhões disponibilizados pela Caixa em 2016, R$ 1 bilhão não foi liberado –o valor ainda poderá ser usado neste primeiro semestre.

O salto no crédito reflete a intenção do governo em ampliar as concessões no setor, que hoje é uma das prioridades do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos).

O financiamento na área, porém, precisa ser diversificado, com investimentos estrangeiros, segundo Tavares.

Para isso, as concessionárias defendem mudanças na regulamentação, como criar um fundo garantidor para o saneamento e a prestação regionalizada (que engloba mais de um município).

Tarda, mas não falha

Empresários brasileiros deixaram o Fórum Econômico Mundial nesta sexta-feira (20), ainda sob a surpresa da trágica morte do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

A maioria deles preferiu não comentar publicamente eventuais consequências para a economia.

Prevalece, no entanto, a impressão de que, embora deva haver um retardo na homologação dos acordos de delação premiada e leniência da Odebrecht, a tendência é de a presidente Cármen Lúcia, do STF, dar uma solução interna logo e redistribuir o processo que estava com Teori Zavascki.

A Lava Jato é atualmente irreversível. Diante da pressão, o próximo indicado para o Supremo vai ser escrutinado como nunca para garantir que esteja acima de suspeitas, ouviu-se em Davos.

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Em Davos

Pela culatra Fabricantes norte-americanos reclamam do risco do dólar alto, em razão dos planos do presidente Donald Trump. Vai minar a competitividade bem do setor que ele queria beneficiar para criar empregos.

Contra... Essa valorização é a principal ameaça à economia global. O alerta foi também de Larry Fink, CEO da gigantesca gestora BlackRock. Mas ele destoa da elite do Fórum ao dizer que Trump e Brexit foram positivos.

...a corrente "Famílias sentiram que sua voz trouxe mudança e se animaram a gastar. Isso é evidente [no aumento] das vendas de carros nos Estados Unidos", afirmou na sexta-feira (20), no Fórum Econômico Mundial.

Prevenir e remediar

A multinacional espanhola de segurança Prosegur investirá R$ 210 milhões do próprio capital em 2017 na sua área de logística e gestão de valores.

É o maior aporte da companhia no Brasil nos últimos 15 anos, afirma Alessandro Abrahão, diretor-geral da divisão no país.

"Fomos obrigados a repensar nossa estrutura após um ano atípico, tanto na economia como na criminalidade."

Os aportes são destinados à renovação de carros-forte e a inovações tecnológicas –como barreiras químicas acionadas remotamente, que impedem o acesso ao dinheiro nos cofres.

Bases da empresa e carros-forte foram alvo de assaltos armados no ano passado, em Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.

"O país ainda tem um mercado enorme, há muitas regiões em que a gestão de dinheiro pode melhorar."

R$ 1,85 BILHÃO
foi a receita da divisão brasileira de logística de valores da Prosegur em 2016

R$ 2 BILHÕES
é o faturamento projetado pela empresa para 2017

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Carga valiosa

A participação de bancos na receita de transportadoras de valores deverá perder espaço para clientes menores, segundo as três maiores empresas do setor no Brasil.

A área é a que mais cresce na Protege, diz o diretor-geral Mario Baptista de Oliveira.

"Instituições financeiras representam 40% a 45% da receita. São maiores na importância, mas o crescimento está no varejo." A companhia prevê um aporte de R$ 80 milhões em 2017 na renovação da frota e em novas filiais.

"Bancos deixaram de representar mais de 50% da nossa receita em 2016", afirma Fernando Sizenando, presidente da Brink's no Brasil.

A companhia analisa pelo menos três aquisições para 2017, segundo o executivo.

A Prosegur também notou a mudança no perfil, diz o diretor Alessandro Abrahão.

Dos R$ 160 milhões investidos em 2016, quase 30% foram destinados a soluções para clientes menores, como cofres inteligentes e transporte de itens de valor reduzido.

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Com desconto

O gasto de consumidores no varejo aumentou 5,8% entre janeiro e novembro de 2016, na comparação com o ano anterior, segundo a consultoria Kantar.

Apesar da leve recuperação, os clientes só ampliaram a frequência com que foram às compras nos períodos de promoções.

A presença nas lojas em dias de ofertas cresceu 3,8% nos onze primeiros meses do ano passado. Em compras regulares, porém, houve uma estagnação (-0,1%).

com FELIPE GUTIERREZ, TAÍS HIRATA e IGOR ITSUMI