Veiculo:
O ESTADO DE SÃO PAULO (SP)
  Secao:
POLÍTICA
  Data:
2018-11-09
  Localidade:
SÃO PAULO
  Hora:
06:49:07
  Tema:
PORTOS
  Avaliação:
NEUTRA
  Autor: Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA

Juiz manda tirar tornozeleira eletrônica de Rocha Loures

Réu no caso J&F, ex-deputado está, há 1 ano e 4 meses, em regime domiciliar noturno e impedido de deixar País
 
O juiz Jaime Travassos Sarinho, da 15.ª Vara Federal de Brasília, determinou a remoção da tornozeleira eletrônica do ex-deputado e ex-assessor do presidente Michel Temer Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR).

Ele está, há um ano e quatro meses, em regime domiciliar noturno, impedido de deixar o País e proibido de manter contato com qualquer investigado, réu ou testemunha relacionados às investigações da delação da J&F.

Rocha Loures ficou conhecido como “homem da mala” ao ser flagrado em vídeo carregando uma mala com R$ 500 mil entregue pelo ex-executivo da J&F Ricardo Saud. O valor, de acordo com o Ministério Público, seria destinado a Temer, que sempre negou. A ProcuradoriaGeral da República (PGR) acusou o presidente de corrupção passiva, mas o prosseguimento do caso foi barrado na Câmara.

O ex-deputado, por outro lado, virou réu em dezembro de 2017 por corrupção passiva.

Na decisão de ontem, o juiz federal destacou que Rocha Loures já foi interrogado e está colaborando com as investigações. “A conclusão da produção da prova oral, o comportamento do acusado durante a instrução probatória (fase de coleta de provas), a ausência de reporte quanto a eventual descumprimento, o tempo de restrição de direitos, sinalizam a necessidade de readequar as medidas cautelares fixadas”, avaliou o juiz.

Além de remover a tornozeleira eletrônica, o juiz também autorizou Rocha Loures a se deslocar entre o Distrito Federal, o Paraná e São Paulo, independentemente de autorização judicial. Mesmo que saia de Brasília, o ex-deputado terá de ficar em recolhimento domiciliar, das 20 às 6 horas, em endereços no Paraná e em São Paulo previamente informados à Justiça.

Ele também foi indiciado, junto com Temer, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no inquérito dos Portos, que apura supostos benefícios concedidos a empresários por meio do Decreto dos Portos.