Veiculo:
DIÁRIO CATARINENSE (SC)
  Secao:
OPINIÃO
  Data:
2018-11-09
  Localidade:
SANTA CATARINA
  Hora:
09:25:18
  Tema:
ANTAQ
  Avaliação:
NEUTRA
  Autor: SÉRGIO DA COSTA RAMOS

Piadas e marolas

O sempre anunciado e jamais cumprido transporte marítimo sentiu uma certa comichão esta semana.
 
Uma “otoridade” lá do Serviço do Patrimônio da União (SPU) resolveu autorizara cessão do entorno daquele improvisado trapiche da Baía Sul, permitindo a instalação da estação de embarque e desembarque, mediante o pagamento de uma taxa de R$ 275 mil por ano. Pronto.

Estão abertos os mares de Floripa, mas faltam ainda todos os outros buquês da “burocracia". Ainda faltam a Licença Ambiental de Instalação (LAI), a Licença Ambiental de Operação (LAO), a Licença da Marinha e uma nova “certidão”, a anuência da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Não é só. Ainda não está definido se o órgão fiscalizador será o Departamento de Terminais de Santa Catarina (Deter) ou a Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis (Suderf) - ou se haverá necessidade de consulta ambiental, além do IMA, ao Instituto Chico Mendes. UFA!

Em meio a esse mar de dúvidas - o serviço será operado por dois frágeis catamarãs - o empresário da concessão vem à boca de cena informar o seguinte:

- No momento, o grande problema, a dois meses do prazo, está nos dois barcos. Vendi os que eu tinha e encomendei dois novos. Mas não sei se ficarão prontos a tempo. Um eu garanto, mas o outro...

Quer dizer: é tanta a incerteza e a bizarria que não seria improvável um dono de companhia aérea afirmar ter um único problema para decolar o seu negócio: a falta de aviões. A tarifa da travessia está estimada entre R$ 9 e R$ 10, mas só remunera o trecho de mar entre São José e Floripa. A conexão entre os trapiches e o sistema viário, na Ilha e no continente, ainda não tem uma precificação. O custo, somado, poderá ficar em R$ 24.

Vencida toda a tentacular onda da burocracia, restará a matemática inviabilização do negócio, pois sem um forte subsídio das prefeituras quase falidas, nada feito, com esse preço irreal e nada competitivo. Eis uma “travessia”, mais uma, que não chegará a margem alguma, até que aprendam com o passado - quando não havia pontes, mas o serviço de barcos atendia a humanos e quadrúpedes.