Veiculo:
JORNAL DO COMMÉRCIO (PE)
  Secao:
OPINIÕES
  Data:
2018-11-09
  Localidade:
PERNAMBUCO
  Hora:
10:07:43
  Tema:
Ministério dos Transportes
  Avaliação:
NEUTRA

Ainda fora dos trilhos

Boletim Técnico do Ministério dos Transportes em setembro de 1995 fez um resumo histórico da Transnordestina, destacando que os engenheiros Edward e Alfred Mornay – que começaram em 1853 a construção da “Recife and São Francisco Railway”, ligando nossa capital ao vale do São Francisco – seriam os pioneiros de um dos principais segmentos da ferrovia, mas uma epidemia de cólera atingiu alguns engenheiros ferroviários ingleses e os irmãos Mornay desistiram do projeto quando seus trabalhos tinham chegado à povoação de Água Preta.
 
O resumo histórico acrescenta que a ideia de um corredor do São Francisco com o trecho ferroviário até Petrolina fez parte dos Planos Nacionais de Viação de 1869, 1874, 1882, 1886, 1890, 1934, 1951, 1956, 1964 e 1973. É uma catástrofe para Pernambuco e todo o Nordeste ficar sabendo que a conclusão da Transnordestina está adiada para 2027. Isso, depois de ter sido iniciada em 1991, paralisada em 31 de novembro de 1992 por falta de verbas, retomada em 2006 com a expectativa de “mudar a cara do Nordeste”, iniciando-se um novo capítulo de uma crônica em que prazos e valores das obras vêm obedecendo a intempéries políticas e econômicas que se somam à tragédia da seca para fazer mais sombria ainda a história da nossa região. Uma conjuntura que se choca com o que preconizava o Ministério dos Transportes na década de 90 do século passado, quando dizia que depois de totalmente construída a Transnordestina iria transportar “quase 8 milhões de toneladas por ano, gerando mais de 30 mil empregos”. As previsões do Ministério para a nossa região eram ainda mais generosas quando consideravam a possibilidade de implantação de uma refinaria em Suape, o que elevaria a importância da ferrovia com a distribuição dos derivados de petróleo a partir de Petrolina. Mas isso seria apenas parte de uma tarefa somada ao transporte de açúcar e álcool, adubos, alumínio, cimento, concentrado de cobre, farelo de soja, gipsita, milho, soja, minério de ferro, produtos siderúrgicos e sal, entre outros. Até o ano 2000, “data estimada para a conclusão da primeira etapa da ferrovia”, a produção estimada de transporte era de 300,4 milhões de toneladas. Vê-se assim, como era acalentada essa obra “redentora” do Nordeste em um passado que já está ficando distante e vai ficar mais ainda, enquanto crescem os gastos, estouram os orçamentos e perde-se o prumo das esperanças, mais que expectativas. O que se diz é que a empresa responsável, a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), contratou uma consultoria para reafirmar a viabilidade econômica e financeira da ferrovia e validar o projeto executivo. Não precisava. A viabilidade já estava comprovada desde o tempo do império e a lógica da supremacia do transporte ferroviário já está fartamente testada em todos os países mais desenvolvidos. Parece que falta, apenas, que nossas lideranças e os administradores públicos façam uma pausa na programação turística e procurem ter acesso a essa lógica quando visitarem países que investem seriamente em ferrovias.