Veiculo:
JORNAL DO COMMÉRCIO (PE)
  Secao:
POLÍTICA
  Data:
2018-11-09
  Localidade:
PERNAMBUCO
  Hora:
11:36:30
  Tema:
PORTOS
  Avaliação:
NEUTRA
  Autor: ANGELA FERNANDA BELFORT - abelfort@jc.com.br

Empresários e produtores sentem o baque

O prazo estendido é mais um empecilho ao desenvolvimento do Estado pelo setor produtivo.
 
“Primeiro, o que foi apresentado é o pensamento das pessoas que fazem a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), a empresa que está à frente da obra. Também é preciso que os nossos deputados trabalhem. Ocorreu uma audiência na Câmara dos Deputados, e não tinha um parlamentar pernambucano, quando esse projeto é de vital importância para o desenvolvimento do Estado”, critica o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger. O dirigente se refere a um relatório sobre o projeto apresentado na audiência que aconteceu no dia 31 de outubro, em Brasília, na Comissão Externa da Câmara dos Deputados, que acompanha a realização das obras. A Transnordestina é uma ferrovia que começa na cidade de Eliseu Martins, no Piauí, e segue até Salgueiro. No Sertão pernambucano, se divide em dois grandes trechos: um que vai até o Porto de Suape, no Grande Recife, e o outro que chegará ao Porto de Pecém, nas proximidades de Fortaleza, no Ceará. No documento apresentado, o trecho cearense ficará pronto em 2021. O de Suape, em 2027. “Se fizerem primeiro o trecho de Pecém, não vão acabar o que vem para Suape. Há mais de quatro anos que digo isso. O governo do Estado não está se movimentando efetivamente para resolver esse problema, enquanto o Ceará está se mexendo”, diz Ricardo Essinger. Ele também foi um dos primeiros a pedir a cassação da concessão da TLSA, que detém a exclusividade para explorar o serviço de transporte ferroviário entre Sergipe e o Maranhão. “Pernambuco precisa trabalhar junto ao governo federal para conseguir a conclusão dessa obra. Pecém era um terminal, mas está crescendo. No mês passado, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), assinou um acordo de cooperação com o Porto de Roterdã, um dos maiores do mundo. Suape é um porto e está parado. A não realização da Transnordestina pode comprometer o futuro de Suape”, afirma Ricardo Essinger. No mundo, todos os grandes portos recebem ferrovias, que podem transportar grandes quantidades de cargas. “É por isso que esse País não vai pra frente. A conclusão da transposição de águas do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina vai criar a viabilidade econômica da região. Quando dizem que vão concluir a obra em dois anos, sai em uma década. Quando dizem 10 anos, é pra entrar em desespero. Muitos empresários da região investiram acreditando que esse projeto ia sair”, lamenta o diretor-presidente da Bom Leite, o empresário Stênio Galvão. Ele faz pecuária de leite em São Bento do Una, no Agreste pernambucano. Os animais dele têm a maior produtividade do Estado. A Transnordestina iria fomentar o desenvolvimento da região porque poderia baratear os custos dos insumos usados na produção de leite, carne de frango, suína e bovina, fazendo com que novas indústrias, como processadoras de carne, se instalassem na área de influência dos trilhos. “Essa foi uma notícia horrível. O crescimento ou o encolhimento do setor avícola de Pernambuco depende da conclusão da Transnordestina. Caso o empreendimento seja concluído, somente o preço do milho teria uma redução de valor estimado em 30%”, calcula o presidente da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), Giuliano Malta. O milho usado pelo setor percorre cerca de 2 mil km de caminhão para chegar aos produtores pernambucanos. Por mês, o setor avícola consome cerca de 100 mil toneladas de milho e 35 mil toneladas de soja. Cerca de 150 mil pessoas trabalham nas empresas desse setor. A ferrovia é indutora de desenvolvimento. O empreendimento também beneficiaria os produtores de gesso do Araripe, os de fruta do Vale do São Francisco, os pequenos produtores agrícolas do Cariri paraibano, entre outros. O trem poderia, ainda, levar diesel mais barato para o Araripe, que poderia ser usado nas fábricas de gesso. Em obras desde 2006, a construção da Transnordestina está praticamente parada desde 2016. Pelo documento apresentado, serão necessários mais R$ 6,31 bilhões para concluir o empreendimento e mais cerca de R$ 500 milhões de despesas “advindas da não atualização de todos os elementos do projeto até o momento”. O total a mais pode chegar a R$ 6,8 bilhões. Como a execução desse projeto depende da União, uma decisão sobre o assunto só deve sair no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).