Veiculo:
O LIBERAL
  Secao:
DINHEIRO
  Data:
2013-08-01
  Localidade:
PARÁ
  Hora:
11:58:17
  Tema:
PORTOS
  Avaliação:
NEUTRA

Vale avança para implantar S11D no Pará

FERRO Empreendimento tem maior volume de investimento privado da década.
 
Um mês após conquistar a liberação da licença de instalação do projeto Ferro Carajás S11D, a Vale avança para a fase de implantação do empreendimento que representará o maior volume de investimento privado no País nesta década. O Complexo Minerador de Carajás promete impulsionar o desenvolvimento econômico da região, sobretudo no caso dos municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás, ambos no Sudeste do Estado. A previsão é que 30 mil empregos sejam gerados ao longo da fase de implantação, incluindo ~mão de obra temporária e indireta, no pico das obras, que devem ser concluídas até o segundo semestre de 2016. Ao iniciar o ciclo de operação da usina, até o final de 2016, a Vale espera gerar 2,6 mil novos postos de trabalho fixos. O projeto S11D vai injetar na economia local cerca de US$ 19 bilhões, sendo que mais da metade, ou seja, cerca de US$ 11 milhões, será direcionado exclusivamente para a logística. A região de Carajás tem ainda, além do corpo S11D, mais três blocos a serem explorados pela Vale nos próximos anos. Apenas o S11D tem capacidade de 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. As pesquisas feitas pela Vale apontam que a capacidade total da reserva S11D é de 4,2 bilhões de toneladas. E os corpos restantes, S11A, S11B e S11C, somados à capacidade do bloco S11D, tem uma reserva total de 10 bilhões de toneladas. Os quatro corpos ficam localizados na área denominada Serra Sul, e apresentam uma extensão total de 30 quilômetros. A Serra Sul, como um todo, tem uma área de 120 quilômetros de extensão. A área de Carajás é considerada pelos mineradores como privilegiada, já que muito próximo do local onde a Vale está implantando a mina S11, encontra-se a Serra Norte, com capacidade de mais de 2,7 bilhões de toneladas de minério de ferro, e que desde 1985 vem sendo explorada pela mineradora.

DEVASTAÇÃO

A mineração, entretanto, compete com outra atividade econômica comum no Pará: a agropecuária. Grande parte dos municípios da região de Carajás perdeu sua área verde, por conta da criação de gado. Neste caso, a Vale precisou adquirir algumas fazendas na região para montar sua usina de beneficiamento do minério de ferro de mil hectares, evitando, com isso, o desmatamento das áreas verdes de Canaã dos Carajás. Conforme explica o diretor de Projetos Ferrosos Norte da Vale, Jamil Sebe, a usina ficará a 37 quilômetros da área de exploração. “A interligação entre a cava (local de incidência do minério) e a planta (usina de beneficiamento) será feita a partir de uma correia transportadora. Com isso, não precisaremos utilizar Caminhões e tampouco desmatar”, comenta.

LOGÍSTICA

O minério será escoado para Ásia, a partir do porto da Madeira, em São Luis do Maranhão. O produto chegará ao Nordeste a partir da Estrada de Ferro Carajás. Para isso, a ferrovia ganhará um braço na Serra Sul, que, assim como a usina, será construído pela empresa Andrade Gutierrez. Outro diferencial, segundo explica Sebe, é o uso de uma técnica de peneira a seco, o que desobriga o uso de água para fazer o beneficiamento. De acordo com o diretor de Projetos Ferrosos, a planta S11 é a maior em minério de ferro do mundo em capacidade inicial de implantação. “A ampliação dela (da mina) dependerá da demanda de mercado. O que já está certo é que a Vale investirá US$ 19 bilhões, cobrindo a mina, as Ferrovias e o porto”, argumenta. Já as pilhas de estéreos – que são os rejeitos provenientes do processo de beneficiamento -, também ficarão em área antropizada pela agricultura. Os projetos minerais da Vale no Pará, atualmente, correspondem a 30% da produção da mineradora no País. Com o projeto S11D, este percentual vai para 50%. “A Vale levou 25 anos para chegar a uma produção de 90 milhões de toneladas ano. Com o S11D, esta produção será alcançada já na fase inicial”, aponta. Sebe aposta no baixo de custo de produção para ampliar a fatia da Vale no mercado mundial da mineração. “Quando começa a cair o preço das commodities minerais, sobrevivem as empresas que tiverem o menor custo de produção. É em cima disso que estamos trabalhando”, conclui.