Veiculo:
VALOR ECONÔMICO
  Secao:
EMPRESAS
  Data:
2013-08-19
  Localidade:
SÃO PAULO
  Hora:
07:33:53
  Tema:
PORTO
  Avaliação:
NEUTRA
  Autor: Daniel Rittner | De Brasília

A. Gutierrez busca crescer em obras do setor privado

Em meio às dificuldades do governo para aumentar os investimentos públicos, o segmento de engenharia e construção da Andrade Gutierrez está impulsionando sua busca por clientes privados, dentro e fora do Brasil.
 
Em 2012, o grupo fez uma reestruturação interna e criou uma divisão específica para cuidar do contratos de prestação de serviços para a iniciativa privada. No ano, esses contratos já renderam um faturamento de R$ 300 milhões. A previsão é alcançar R$ 500 milhões em 2013 e atingir cerca de R$ 1 bilhão em 2014. Depois, a meta é crescer 20% ao ano, até 2018. "Se não atingirmos esse resultado, eu estou na rua", diz o presidente da divisão global de negócios privados do grupo, Ricardo Sá.

O executivo diz que essa ofensiva a clientes privados não está diretamente relacionada à desaceleração das obras públicas e faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação dos negócios. "Nos anos 90, o grupo começou um processo de diversificação, com a entrada na telefonia e nas concessões de infraestrutura", explica Sá, referindo-se à participação da Andrade Gutierrez na Telemar (hoje Oi) e na CCR. "Esse processo mostrou ser bastante saudável", acrescenta.

Um dos principais focos da nova divisão chefiada por Sá são as multinacionais. Projetos de mineração, de portos, terminais logísticos, rodovias e plantas industriais (como siderúrgicas e de petroquímica) estão no radar.

A Vale é um exemplo. Ela acaba de firmar dois contratos com a Andrade Gutierrez, no total de R$ 1,5 bilhão, para o megaprojeto S11D, em Carajás (PA). Um dos contratos é para obras civis da usina de beneficiamento do minério de ferro, com capacidade de processar 90 milhões de toneladas por ano, quando estiver funcionando a pleno vapor. O outro abrange a construção de um ramal ferroviário de interligação, com 50 quilômetros de extensão, conectando essa usina até a Estrada de Ferro Carajás.

Para o executivo, a Vale ilustra perfeitamente o tipo de cliente que essa divisão da empresa tenta buscar. Na Argentina, a empreiteira havia sido contratada pela mineradora para tocar parte do Projeto Rio Colorado, em Mendoza, que está suspenso. Faria um terminal portuário em Bahía Blanca. No Peru, construiu uma planta de dessalinização de água em Bayóvar, onde a Vale tem uma mina de exploração de fosfato. A Andrade Gutierrez recebe por metro cúbico de água fornecido.

Em 2011, segundo o último anuário da revista "O Empreiteiro", 97% do faturamento da Andrade Gutierrez em engenharia e construção dependia do setor público. Ela está à frente de obras de grande porte, como a hidrelétrica de Belo Monte e a usina nuclear de Angra 3. Sá não confirma os números da revista especializada, mas revela a projeção de que os contratos com clientes privados já vão representar dois dígitos do faturamento da empreiteira a partir de 2014.

Para isso, no exterior, as duas prioridades são a América Latina e a África. "Estamos em um momento de negociações intensas com bons clientes", garante o executivo. Na vizinhança, os esforços estão voltados principalmente para quatro países: Argentina, Chile, Colômbia e Peru.

No continente africano, os alvos são Moçambique, que tem projetos de exploração de carvão mineral e de terminais portuários para o escoamento da produção, e países como Guiné e Libéria. Há uma atenção especial, no entanto, para a Nigéria. Recentemente, a empresa fechou uma joint venture com o grupo Dangote, do magnata Aliko Dangote, um dos homens mais ricos da África. Com isso, já tem uma empresa aberta e estabelecida no país, que se dedicará à captação de clientes privados para projetos de engenharia e construção.

No Brasil, além de empresas que precisam de soluções industriais, há uma aposta nos serviços gerados com o novo programa de concessões de infraestrutura. Por isso, a Andrade Gutierrez ficou satisfeita com a entrada em vigência da nova Lei dos Portos, que destravou terminais privados - agora não haverá mais nenhuma exigência de carga própria para operar o empreendimento. "Isso vai fomentar investimentos privados que vão ser nossos alvos", diz Sá. Ele lembra que a empreiteira foi responsável pelas obras da Brasil Terminal Portuário (BTP), em Santos.

Junto com Camargo Corrêa e Soares Penido, a Andrade Gutierrez controla a CCR, dona de concessões de rodovias e de outras áreas. Com os novos leilões, a expectativa é de que haja um impulso na prestação de serviços para concessionárias de infraestrutura. A própria CCR ou outros grupos.